07 junho 2016

Gilmar Mendes autoriza abertura de novo inquérito contra Aécio Neves


O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, autorizou a abertura de mais um inquérito a fim de investigar o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB. Aécio é acusado de atuar para fraudar dados do Banco Rural e, assim, esconder o mensalão mineiro.




Segundo informação do jornal Folha de São Paulo, além do tucano, o inquérito tem como alvos o vice de Aécio à época, Clésio Andrade (PMDB-MG), e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), que era secretário-geral do PSDB.

Em contrapartida, o deputado tucano Carlos Sampaio (SP), apesar de constar no pedido inicial da Procuradoria-Geral da República ao STF, não será investigado por decisão de Gilmar Mendes, que entendeu não haver elementos suficientes contra o parlamentar. Para o ministro, seria "prematuro" incluir o deputado como investigado.

De acordo com a Folha, a investigação se baseia na delação premiada do ex-senador Delcídio Amaral, que presidiu a CPI dos Correios, responsável por apurar o mensalão. Amaral afirmou que dados do Banco Rural foram requisitados e que Aécio Neves atrasou propositalmente o envio desses dados à Comissão Parlamentar, com o intento de apagar informações comprometedoras.

Na delação, Delcídio diz que "a maquiagem consistiria em apagar dados bancários comprometedores que envolviam Aécio Neves, Clésio Andrade, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Marcos Valério e companhia".

O ministro Gilmar Mendes ressalta, em sua decisão, que o crime de falsificação de documentos já teria prescrito, já que ocorreu oito anos atrás. Entretanto, afirma que a Procuradoria-Geral avalia que outras práticas criminosas seriam possíveis e devem ser investigadas - entre elas, lavagem de dinheiro, crime contra a administração pública e gestão fraudulenta.

Ainda nos depoimentos, Delcídio afirmou que "Aécio enviou emissários para que o prazo de entrega das quebras de sigilo fossem delongados, com a justificativa 'entre aspas' de que não haveria tempo hábil para preparar essas respostas". Um desses emissários seria Eduardo Paes. Amaral se disse surpreso quando percebeu que “o tempo fora utilizado para maquiar os dados que recebera do Banco Rural” e que ele ficou sabendo que “os dados eram maquiados porque isso lhe fora relatado por Eduardo Paes e o próprio Aécio Neves”.

Em nota ao jornal O Estado de S.Paulo, a assessoria de Aécio, também é alvo de uma outra linha de investigação no Supremo, que apura se ele recebeu propina de Furnas, afirma que ele "renova sua absoluta convicção de que os esclarecimentos a serem prestados demonstrarão de forma definitiva a improcedência e o absurdo de mais essa citação feita ao seu nome pelo ex-senador Delcídio".

A nota diz que “o senador jamais interferiu ou influenciou nos trabalhos de qualquer CPI. As investigações isentas e céleres serão o melhor caminho para que isso fique de uma vez por todas esclarecido”.

Já a defesa de Clésio Andrade disse ao jornal não ter conhecimento do caso, sendo assim não iria se pronunciar.

Eduardo Paes, por meio de assessoria, diz que está à disposição da Justiça para esclarecer o caso.

Com Agência Estado

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