22 dezembro 2016

Passageiros criticam proposta de reajuste na passagem de ônibus



Nas ruas e nas redes sociais, a reação à proposta de reajuste da tarifa dos ônibus do Grande Recife em 33,9%, anunciada na última terça-feira pelos empresários do setor, foi de espanto. Se esse índice fosse aprovado, o anel A subiria dos atuais R$ 2,80 para R$ 3,75, e o B, de R$ 3,85 para R$ 5,15.

O custo de deslocamentos de ida e volta de quem trabalha 22 dias por mês, por exemplo, passaria de R$ 123,20 para R$ 165, na tarifa A, e de R$ 169,40 para R$ 226,60, na B, o que impactaria o orçamento de usuários comuns e de empregadores que arcam com as passagens. O aumento, no entanto, tende a ser menor, já que, historicamente, o Governo do Estado propõe um índice de reajuste abaixo do pleiteado pelo empresariado.
As reuniões para tratar do assunto só começam em janeiro. Se o rito dos anos anteriores for seguido, serão duas: uma para que as propostas de reajuste sejam apresentadas, e outra para que os 24 componentes do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) votem. 

O Governo diz que só se pronunciará no início do ano. Na semana passada, porém, num encontro entre o secretário das Cidades e presidente do CSTM, Francisco Papaléo, e outros integrantes do Conselho, o tema teria tido uma discussão inicial. O aumento da passagem é dado como certo, mas ainda não se sabe se a gestão estadual proporá um índice só para repor a inflação, como era prática desde 2007, ou se apresentará um percentual maior, como ocorreu no início deste ano (14,42% ante uma inflação de 10,7%). 
Nos espaços de interação do Portal FolhaPE, passageiros não pouparam críticas. Tiago Candido citou a superlotação e a falta de coletivos climatizados e disse que “uma passagem está mais cara do que um litro de gasolina”. Diante da proposta de aumento de quase R$ 1 na tarifa A, Douglas Leonardo questionou: “Faz anos que temos aumentos abusivos e nada de melhora”. Segundo a Urbana-PE, o percentual de 33,9% é necessário para cobrir custos com pessoal, veículos e combustível, além da queda de demanda de 5% prevista para 2017.
Ocupando uma das cadeiras destinadas a estudantes no CSTM, Márcio Morais critica o que chama de “prática adotada há muito tempo no País”. “O empresário de ônibus propõe um percentual muito acima e o Governo entra com uma proposta menor, mas ainda elevada.”
Na próxima terça-feira, integrantes da Frente de Luta pelo Transporte Público (pretendem se reunir. “Uma das justificativas da Urbana-PE é que houve uma redução de 10% no número de passageiros pagantes. Isso já demonstra que o povo pernambucano está sofrido e não suporta mais essa carga”, avalia Pedro Josephi, da FLTP.

Fonte:Folha de Pernambuco

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